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domingo, 22 de julho de 2012

A CATANA E A RODA DENTADA NOUTRO LADO DO ANGULO



A vida é um jogo, é uma quebra-cabeças… assim se elucidava no episódico brasileiro, o Bem Amado. A vida é curta dizia um poeta infamado. Enfim a vida nos oferece muitas lógicas que se pode definir em varias maneiras dependendo do ângulo da observação pelo qual estamos posicionados. Na minha realidade, tanto de muitos a vida se enrola numa cronometragem da história, geografia e cultura. Pois ela é a narração do percurso ou perfilo de determinados eventos em certo tempo, num espaço qualquer conforme autênticos hábitos ou costumes.
                                                                                                            
Tanto nos momentos felizes como de maus souvenirs, a vida não falta de brindar-nos com ilusões. Essas ilusões esporádicas acompanhem talvez esses dois pólos citados da vida, mas elas também advezes surgem isoladamente. As grandes aventuras, as revoluções, muitas manifestações e outros dinamismos de grandes envergaduras e impactos arrastam consigo verdadeiras ilusões. A experiencia atesta que só uma minoria aproveita e beneficie positivamente os efeitos destas ilusões deixando uma grande maioria reflectindo amargamente sem fim o que ela recolheu nesta. Neste contexto, os cães caçadores podem melhor explicar; pois são sempre agradecidos com ossos por enquanto seus donos se engordurem com melhores pedaços de carne.

Diria eu que em qualquer movimento existe sempre um visionário. Portanto a visão fica sempre o foco ou eixo da concentração da organização/movimento. Em muitos casos, sobre tudo nas organizações com pouca disciplina, mal estruturadas ou desorganizadas, onde a visão é uma propriedade privada que o visionário, dono ou líder transporte nas suas calcinhas, ou nos seus bolsos, a visão perde a sua essência logo que haja mudança de ambições. Neste tipo de organizações, a visão morre uma vez que o visionário, líder ou dono cessa de viver. E caso for substituído, este, combate contra a visão que tinha anteriormente defendido. Este é a moda comum em África!

A ilusão da visão é que em qualquer revolução ou movimento os participantes, membros, colaboradores contribuem para só elevar a consagração um individuo e os restantes/acompanhantes vão beneficiando pelo reconhecimento deste empossado, que provavelmente omitirá uma maioria. Eis a razão pela qual o sucesso da visão depende do dinamismo do visionário mas do respeito corporativo ao cumprimento da missão. Não deve haver duas visões e não deve haver muitos visionários numa revolução. Por isso na política surgem conspiradores, anti/contra-revolucionários, fraccionistas, rebeldes, fantoches etc.

Da colónia a um País Soberano, desde 1975 Angola foi governada pelo MPLA que tinha como visionário, o seu Presidente Agostinho Neto. Este movimento comunista planificou estrategicamente seus projectos, objectivos de acordo a visão que se parafraseou na bandeira da nação. Entende-se que era uma governação totalitária, dominada pelo partido/estado onde a voz do povo era insignificante. O angolano não tinha direito a decisão nem a escolha. O movimento comunista soube aproveitar a debilidade educacional da população par inculcar-lhe o que o marxismo-leninismo angolano preconizava. Usou-se da bandeira nacional para transmitir uma mensagem que ficaria eternamente na consciência angolana. O MPLA nunca pensou (tanto o antigo como o novo MPLA) e ainda não está preparado de governar Angola partilhando com outros partidos. Como a leitura dos factos e factores históricos não convence-me ainda que o MPLA do Agostinho Neto e do Eduardo dos Santos é o mesmo, continuo acreditar que existe duas distintas histórias e dois movimentos do MPLA (para não falar doutras fracções). Ainda mais que a visão do Pr. Neto não é mesma com a do Pr. Eduardo dos Santos. Os objectivos também são diferentes. A diferença não é só no tempo mas ate no espaço, as ocorrências, as praticas, as realidades, o estilo da governação, e eu não acreditaria que a governação de JES é a continuidade na do AN; seria absurdo. Pouco importa a opinião dos políticos como de jornalistas mas historiadores serão em pleno acordo comigo.

Ao colocar no seio da bandeira nacional, que é hipocritamente a mesma bandeira (dissipada ) do Partido do Trabalho, a catana e a roda dentada o movimento calculista de Neto pensou gravar a angolanidade uma mensagem memorável. Contemplemos:

Primeiro, queria incentivar a bravura do povo angolano que soube heroicamente defender seus direitos. Infelizmente usou-se do 4 de Fevereiro, que é uma data simbólica ao nosso povo. Só que há muitos partidos que hoje reivindiquem o direito desta data, que foi-nos incutido a pertencia ao MPLA. A clarificação histórica sobre esta tão discutida data ainda não foi decidida, uma vez historiadores angolanos não possuem ainda o direito científico de trabalhar sem inclinações. Não se faz verdadeiras palestras, debates e conferências para a esclarecer. E pena que mesmo aos estudantes universitários não se profetisa a verdade. A catana representa na nossa bandeira o espírito do 4 de Fevereiro; a fome da libertação. Libertar-se contra o jugo colonial, contra a manipulação colonial e reclamar a sua identidade angolana. Dá-se ao angolano um encorajamento no espírito de combate; ser combativo para defender seus direitos. Direitos esses que o mesmo Neto viria recusar-nos. Mas a catana representou também a força da produção artesanal: - uma chamada a produção.

A roda dentada é outra forma de motivar o povo ao trabalho ou produção. O MPLA trouxe uma mensagem dizendo que o angolano é um trabalhador da linha da frente, que por meio da produção pode transformar esta nação. Mas optou diferenciar o que se pode alcançar entre uma produção artesanal (simbolizada pela catana) e a produção industrial (simbolizada pela roda dentada). A mensagem foi simples: usa-se a catana onde não inicialmente haver possibilidades e condições (mundo rural) enquanto nas grandes aglomerações haverá indústrias mecanizadas. Isto tudo significaria que pode-se transformar Angola usando catanas ou maquinas onde e como puder.

A visão de Neto sobre a transformação de Angola era então realista? Ilusão ou simples sonhos? Nos últimos dias da sua vida Neto viria entender que a teoria da sua mensagem não tinha uma pratica realista. Não se aplicava o que se proclamava, quer dizer as ambições não correspondiam com a profecia do MPLA/PT. Neto começou a ver o outro lado do ângulo; a faixa mais escura da óptica.

Quanto na visão do novo MPLA ou simplesmente no MPLA do Presidente José Eduardo dos Santos a catana e a roda dentada da bandeira de Angola não tem a mesma mensagem de ontem e não representam as mesmas coisas. O povo angolano conheceu uma longa guerra entre irmãos cujo dividendo da factura foi mesmo incalculável. O angolano não se fez mortelado não só fisicamente mas tanto emocionalmente como moralmente. Ate hoje as cicatrizes ainda tem causadas dores e as lembranças são vivas. Contudo o angolano continua revoltado. Esse revoltado obteve graças ao receber do MPLA armas de fogo que ainda conserva armazenadas nas casas. A sexta-feira sagrante é uma prova, que com todas as eventualidades pode se repetir sem aviso nenhum.

Eu não gostaria de debruçar desta visão do novo MPLA mas a pratica tem dado-nos uma preciosa lição. Na situação actual substitui-se a catana pelas armas (seria copiar a bandeira Moçambicana) para que um futuro 4 de Fevereiro seja mais cruel, violento e agressivo que o passado? Incentiva-se aos nossos irmãos de combater com armas na mão sem portanto dar-lhes uma preparação moral ou politica, seja psicológica para não causar danos injustificados. Pelo menos que saibam que já não temos colonos; que não estamos a combater contra o colono. Ate seria inútil uma vez temos forças armadas e mercenários que temos enviados nas terras longínquas. A catana continua a encorajar o angolano e incentivar-lhe a barbaria. A catana dita a consciência angolana a derramar sangue dos outros. Pergunto eu se esses outros de ontem ainda não são angolanos? Não se incentiva ninguém a produção onde se crie voluntariamente desempregados!

Muitas coisas mudaram porque a historia desenvolveu mas a mesma mensagem da bandeira angolana continua flagelar a consciência do angolano. Alguém queira que se repetisse o 4 de Fevereiro. Já não se pode nada dissimilar! A catana serve para derramar sangue, e não da produção. Quem apelamos a produzir? Vejamos ainda a roda dentada

A roda dentada foi uma forma de implementar algo que activa a produção e o novo MPLA veio energicamente com a política da exclusão social. Qualquer demográfico angolano lhe diria hoje que em Angola vivem mais angolanos desempregados que estrangeiros. Há províncias em Angola onde o trabalho continua um sonho inalcançável. O novo MPLA tem mais preferência aos estrangeiros condenando a sua população a miséria. A roda dentada é hoje uma chamada de atenção ao desemprego. Não se justifica como pode haver estrangeiros motoristas, guardas, empregados de limpeza etc enquanto o cidadão não encontre emprego. A minha opinião não tem nada com xenofobia mas descrevo uma realidade que se vive na terra. Respeito a opinião de quem pensar que sou frustrado. Portanto só precisamos de cooperantes onde não podemos!!!

Ate faria a comedia de deduzir um dia que a presença da estrela na bandeira de Angola representa a gasosa que se paga em todos sectores em qualquer business.

Vamos construir uma Angola nova, onde não haverá injustiças. Vamos mudar por favor esta bandeira onde continuamente derrama o sangue do angolano condenado ao desemprego. Vamos construir uma nação onde não haverá lugar a catanada/massacres e desemprego.



Nkituavanga II

sexta-feira, 6 de julho de 2012

NA CONTINUIDADE DAS BURLADAS ELEICOES



Tanto nos meios restritos como na sociedade angolana em geral fala-se infinitamente das eleições. Esta palavra não é velha/antiga no dicionário angolano, pois a colonização portuguesa não só negou-nos este direito, sendo encarada por raça inferior, mas proibiu-la penetrar a consciência angolana. Muitos de nos temos falado quotidianamente sobre as eleições de forma papagaia, conquanto que temos vivido e sofrido suas consequências. Quando se fala sobre eleições em qualquer espaço geográfico do globo, a articulação desta palavra impulsiona a consciência com um aprazimento que espalha um faiscado cheio de esperança, de desejo, confidencia, crença, antecipação e expectação. Ate mesmo quando não percebemos o verdadeiro sentido e significado da mesma.

Eleição é o processo de eleger, escolher, seleccionar um cidadão por meios de votos para ocupar uma responsabilidade, posição autoritária e acarretar os destinos duma estrutura, duma organização qualquer para o seu aperfeiçoamento. Neste processo, o eleitor (homem chamado a eleger) deve gozar ou exercer seus básicos direitos; tais como a paz, a liberdade. Isto quer dizer o eleitor não deve consentir influencias externas nem pressões ou outras consequências que podem corromper a sua consciência ou causar danos emocionais como físicos. O cumprimento destes princípios faz com que as eleições tenham um carácter democrático: livre e justo na pacificidade. Nas eleições, o cidadão valorize e use o seu direito de exprimir-se livremente através as urnas. O voto simboliza a livre linguagem do povo pondo em acção a sua decisão através o que se considera por cartão de voto. Este voto segredo e livre será depois transferido a uma ficha mecânica ou electrónica para a posterior contagem.

Depara-se nas terras angolanas com muitos fenómenos sociais que por uma obrigação moral e política exigem que o cidadão seja primeiro educado/enquadrado. Primeiro, o angolano não tem ainda experiencia no que concerne as eleições. Segundo; a maioria da população é analfabeta ou talvez carece de um bom nível educacional que lhe permite eleger sem a ajuda dos terceiros/instituições.

A realização das eleições requer um minucioso estudo para estabelecer as instituições, criar as leis gerentes, planificar o tempo e calendários, decidir sobre a verba e seleccionar candidatos. Nas eleições livres, um estudo demográfico é importante pois nele vai-se (talvez) efectuar o recenseamento populacional e a localização de eleitores por determinadas zonas para que estatisticamente se coloque postos/centros eleitorais.


Experiencias angolanas

Angola soberana foi dirigida desde a sua independência pelo MPLA partido marxista, que inseriu a nação a um regime comunista/totalitário. Durante mais de 20 anos, o povo angolano ficou sem direito de votar uma vez os dirigentes eram digitados/apontados conforme a fidelidade partidária e militância. Assim tanto Agostinho Neto como o seu sucessor José Eduardo dos Santos jamais e nunca foram eleitos.

No fim da guerra civil entre angolanos, o país transitou subitamente e teoricamente do comunismo a democracia ou melhor do totalitarismo ao pluralismo. Houve então mudança do sistema económico mas também politico infelizmente mantendo a mesma consciência. A primeira tentativa de realizar eleições livres e democráticas fracassou depois duma primeira volta coroada pelas burlas e tão contestada, que ofereceria mais tarde a nação uma factura de massacres ate genocídios. Em 2008, 6 anos depois de festejar a morte de JM Savimbi, o país com toda imaturidade proclama sob emoções as eleições carregando os mesmos erros do passado.

As eleições de 2008 não foram organizadas pela classe politica angolana mas foram preparadas, organizadas e patrocinadas pelo MPLA, partido no poder desde 1975. Face a uma oposição desorientada, desorganizada, indisciplinada e inexperiente o MPLA teve facilmente o controlo das operações.

Não se criou instituições independentes para supervisar as eleições. Deu-se grande brecha ao partido no poder de digitar no topo da Comissão Eleitoral seu pião, de estender o seu poder de controlo ate aos grupos de observadores internacionais, que também sucumbiram nas belas promessas do Partido de trabalho.

Nas eleições de 2002 conseguiu-se infiltrar urnas fantoches desde certos países vizinhos mas em 2008 as fantochadas urnas foram bem armazenadas em vários quartéis militares e em varias instalações da segurança nacional. Reitera-se que para alem dos agentes formados oficialmente para cuidar deste processo eleitoral, o partido-governo tinha preparado paralelamente pessoal militar capaz de realizar o mesmo género de trabalho para garantir a vitória de Movimento Popular e o seu presidente: o prometido foi feito!

Deu-se 45 dias de preparação ou mobilização oficial aos partidos da oposição enquanto o partido da situação tinha iniciado a sua maratona eleitoral já há 2 anos. O MPLA realizou uma campanha muito muscular monopolizando todas as instituições governamentais a trabalhar pela sua conta. Assim muitos representantes de partidos foram impedidos de viajar usando meios de transporte pertencentes as empresas estatais. Pais e encarregados familiares foram ameaçados de perder seus direitos as instituições escolares e de saúde, caso que seus pupilos votassem pela oposição. Sobas foram galhardeados com televisores mesmo vivendo nas zonas sem electricidade. Em troca ao seu voto, velhos patifados receberam motorizadas.

Angola que prometera dar uma lição democrática a outras nações africanas terminou com as eleições mais suja, fraudulenta do continente, onde o MPLA atribuiu aos outros partidos o resultado por si calculado, desejado, da sua preferência e finalmente arrogou-se 80% de vitoria esmagadora ao partido de José Eduardo dos Santos. A comunidade internacional como sempre, silenciou-se, esperando uma vez pela derramação do sangue dos africano.

Os países desenvolvidos como a comunidade internacional já vêm determinados com uma agenda que não consiste pelo respeito de direitos do cidadão nacional, mas para conceder ou manter uma vantajosa continuidade da sua presença manipulativa na economia e politica desta nação. Vem para colocar no poder aquele partido ou marioneta facilmente manipulado, capaz de defender e proteger seus interesses em detrimento dos nacionais. Foi assim que as empresas brasileiras e espanhóis foram contratadas para garantir a vitória do MPLA falsificando ate aos miolos o resultados.


Aproxima-se ainda as novas eleições escandalosas (2012), como diz-se na terra, onde um jogador será ao mesmo tempo capitão e treinador da equipa, colmatando também a função de árbitro: em Luanda/Angola tudo é possível. O vencedor antecipado é conhecido mas vai-se as eleições só para permitir a oposição de fazer a escolha da língua nacional com que vai desta vez utilizar para lagrimejar. Mais um processo protocolar de gastos de dinheiro, quando o angolano não tem como alimentar a sua vida. O MPLA carrega consigo uma tremenda vantagem como dono da mídia (comunicação social TPA, RNA, JÁ, TVZ etc), das finanças, do tribunal e das forças de segurança, policiais e militares e das instalações (infrastruturas).

Quase em grande maioria das eleições tem havido ligeiros fraudes; mesmo nos ditos países desenvolvidos. Na Alemanha de Helmut Kohl acontecera. Em Canada como nos EUAmérica, Jorge W. Bush viu-se na posição de vitorioso fraudulento em duas ocasiões (contra Al Gore em 2000 e contra J. Kerry em 2004). Para tal contrata-se ate grandes empresas especializadas em burlas eleitorais como foi a INDRA espanhol em Angola em 2008 e possivelmente em 2012.

Em muitos casos o partido/presidente no poder, uma vez desesperado procura manter-se no poder, vai estrategicamente utilizar técnicas enganadoras para sobreviver. Esta característica é muito notável aos líderes ditadores, que procurem sempre eternizar no poder. Outros confundem uma república a uma dinastia/reino, apliquem a cleptocracia. Em Angola, o recordista José Eduardo dos Santos já acumulou mais de 30 anos no poder, e prepara-se para passar o batton ao primo, nas alturas.

Nos países onde predomina a corrupção, a desproporcional fraude eleitoral é o utensílio que garante a maioria parlamentar, que vai ditando as leis. A trapaça eleitoral não deixa de ser um mecanismo ou principio contra a liberdade, democracia e civilização. A fraude encoraja a criminalidade, enfraquece a lei e facilita a penetração de valores anti-sociais. A sabotagem das livres eleições permite classificar os inimigos do povo. No caso de Angola consta na lista dos inimigos do povo de Angola:

1. A classe politica governamental (corrompida).
2. A classe politica da oposição indisciplinada e corrompida
3. A classe de generais militares com inclinação politica
4. A classe de líderes religiosos com inclinação politica
5. O eleitor sem (própria) decisão pessoal.

O que a nação não discerne é que o poder de qualquer governo/governação está enraizado na vontade, desejo, decisão, acção do povo. Só que, em…a oposição oferece facilidade as fraudes eleitorais.



Nkituavanga II


quinta-feira, 17 de maio de 2012

DA VERDADE A LIBERDADE PARA A DEMOCRACIA



Angola que não deixe de ser um Eldorado para os estrangeiros vai as próximas horas entrar na época das promessas blasonarias para os autóctones mas caóticas para os nacionalistas. Os períodos eleitorais deveriam representar o trampolim que projecta a nação, o povo nos ideais sonhos, passando através um processo que se chama as verdades das urnas. Porem quando se fala em verdades das urnas, cada equipa participante as eleições tem a sua compreensão, tácticas, lógica, equipamento e agenda.

A verdade das urnas é um direito cívico que qualquer estado oferece a sua população para livremente escolher futuros dirigentes da nação em conformidade a leis constitucionais. A verdade das urnas é a linguagem gestual de um povo para mandatar seus servos junto as instituições administro-jurídicas. Cada cidadão tem um direito natural (para não dizer divino) a decisão e escolha. Este direito é garantido nos estados onde a lei é respeitada mas quase universalmente se inclui naquilo que se define solenemente como liberdade de expressão que faz parte dos direitos do homem/cidadão. A liberdade de expressão deve ser um precedente factor que seguramente alimenta a verdade das urnas. Um povo que carece da liberdade da expressão não tem qualquer utensílio para exprimir-se com autonomia nas urnas.

Numa democracia as fortes virtudes como a verdade e a liberdade devem ser empregue no seu verdadeiro sentido. Não se vai hoje fazer a mesma pergunta do Pilatos que procurou junto do acusado Cristo saber: o que é a verdade? A verdade como concepção filosófica não é palpável mas visível. Mesmo sendo abstracta, ela se concretiza através acções. Ela é o estado de concordar com facto ou realidade; portanto a realidade pode ser relativa. Negar os factos nas repúblicas bananeiras também obedece a regra da selva; onde o mais forte tem sempre razão!

Procurou-se em todas as instalações sofisticadas das instituições do governo onde reside a verdade, infelizmente nos edifícios que basculhamos, foram-nos dito que a verdade é uma palavra desconhecida tanto no espaço governamental como partidário. O facto que muitos lideres ignoram e que aquilo que desconhecido não em algum lado implique inexistencia. A verdade pode ser desconhecida em Angola mas ela existe e o nosso povo precisa-la. A criação de um homem novo, como duma mentalidade nova exige a verdade. Sem a verdade não pode haver a tolerância zero como sem a seiva a arvore não pode sobreviver. Para uma mentalidade nova é preciso uma revolução cultural que depende duma instituição educacional muito forte. Por consequência não se pode educar na mentira como nas épocas do comunismo angolano.

A luta das qualificações políticas oferece-nos sempre uma identificação falsa, ela cola-nos um selo que tem causado decepções mas especialmente divisões. Ela faz deslocar a nossa luta num terreno estéril, onde a distracção reina e semeia a ruptura da nossa sociedade. Não fomos então chamados a edificar uma nova sociedade angolana, onde o denominador comum seria uma mentalidade nova?

Qualquer que seja o caminho pelo qual os dirigentes da nação conduzem-nos, como para o sucesso de qualquer revolução angolana, deve transitar obrigatoriamente pela via da liberdade. Uma vez que se garante e respeite a liberdade de cada cidadão, haverá facilidade de construirmos uma Angola reconciliada. A reconciliação tem suas bases na coabitação e não pela exclusão.

A passagem obrigatória de Angola para o seu desenvolvimento tem de ser através a verdade das urnas passando pela liberdade da expressão, criando condições para a coabitação como alicerce da reconciliação e unidade numa mentalidade angolana. Portanto com quem faremos a nossa democracia?


Nkituavanga II

terça-feira, 27 de março de 2012

ABEL, O OVO DA CASA




Há quem encara isso (CASA) como projecto do mano Abel Chivo. As turvadas não faltem de projecta-lo como uma das pétalas da monstruosa criatura do M. Bem, nascemos na guerra e optamos por uma democracia desordenada, porque é uma compostura acidentada de vários componentes partindo do comunismo, neocolonialismo, democracia, nepotismo com varias fragmentações tais como ditadura, arrestações arbitrarias, injustiças, exclusão social, corrupção, manipulação, enriquecimento ilícito, violências, exonerações e nomeações obsequiarias etc.

Falou-se tanto da tempestade do mundo árabe (window 10/30) como único preço, para salvar os povos oprimidos do mundo subdesenvolvido. Porem a sabedoria senegalesa prova hoje que o africano pode instaurar a paz sem derramar sangue e demolir suas infrastruturas. Valioso é o tempo para muitos, mas talvez seja o tempo de pânico para com os regimes sanguinários. Quando para a cigarra é tempo de cantar, a formiga na sua vez vai armazenando o que poder: assim, Abel Chivukuvuku coloca-se entre o tempo e espaço.

O Abel que já é um dignitário notório no palco político de Angola vai actualmente fazer-se mais admirável nas calmas, mesmo quando a conjuntura permite aos brutos pugilistas de vangloriar-se em detrimento de manifestantes que vão-se agonizar com dores. Pouco importa porque é a lei da selva! Mesmo quando o ladrar não é rugido, faz portanto qualquer efeito aos ladrões.

A CASA que é um plano politico do arquitecto Abel Chivo. O cidadão Abel Chivukuvuku cresceu nas escolas politicas do JMS (Savimbi) como muitos dirigentes da Unita. Há um longo tempo que este ficou impregnated com este plano. Esta gravidez era tão visível que qualquer observador míope deveria notar. O lançamento deste plano surge como CASA que com o tempo poderá se tornar por um PREDIO. A Casa não é realmente um partido político. Ela ainda não foi bem definida mas tem tendência de engrandecer uma vez foi arremessada como semente para testar o terreno. Embora como projecto, sem definição, a Casa vai hesitantemente actuar como uma coligação de partidos e grupos de pressão. Portanto como a semente caiu numa boa terra e no tempo das brisas, ela vai germinando e vai metamorfosear-se por um verdadeiro edifício.

Abel foi sempre bem recebido pelos angolanos, mas constantemente posto em causa no seio da família do galo negro. Uma vez foi-me dado a oportunidade de tossir algo sobre esta personagem. Eu pude simplesmente definir o homem como OVO da Unita e de Angola, acrescentando: se a Unita não souber como acarretar este ovo, poderá quebrá-lo e sujar-se mas que Angola ficaria sem comida. Por consequência na lógica deve-se quebrar os ovos para fazer qualquer desejada omeleta. Hoje vai-se contar os dias para comprovar esta realidade.

Como partido político a CASA poderia reforçar a oposição angolana, caso que se enquadre na visão da verdadeira oposição. Isto implique não ser um satélite do partido da situação e não entrar em guerra-fria com a Unita (como já se verifique). Qualquer ambicioso político do calibre do Abel não poderia viver eternamente na sombra do Samakuva. Tal como Abel, o Daniel Maluka, Adalberto e Gato irão abandonar o barco um apois outro, já que cada destes tem plano, ambições mas que nenhum terá tempo na Unita.

O que será saudável para os angolanos é aproveitar as capacidades do Abel. Para tal a Unita como Mpla devem pautar pelo patriotismo e não pelo tribalismo. O Abel não deve encarar a Unita como a sua principal rival. Como cabeça da oposição a Unita não soube agrupar outros partidos da oposição no seu torno para dar uma nova dinâmica a esta. Ela deu voluntariamente uma brecha ao MPLA para facilitar este ultimo manipular-lhe, recolhendo por seu turno migalhas as escondidas. Tanto a CASA como a UNITA serão doravante chamados a provar uma maturidade politica excepcional. As probabilidades indicam que haverá grandes tropeços entre estes. A Casa tem a santa missão (premeditada) de recuperar a posição da Unita. Estaremos diante de um grande desafio. Desafio porque Abel pretende provar que é melhor que Samakuva. Desafio porque a Unita quer provar que é melhor partido que a Casa. Cada, entre as duas prepara-se para aniquilar a outra como o Mpla tenciona fazer com a Fnla. Assim Angola não beneficiará da expertise da oposição e o MPLA vai navegando livremente sozinho arrastando toda Angola como sempre ao naufrágio.

Por enquanto em 2012 a Casa aspira ganhar algumas cadeirinhas no parlamento para desafiar todas as expectativas nas próximas (sem batota). Isto não será possível nas desordens, pois sabemos que a moto doutro lado é dividir para melhor reinar!

Enquanto cresce a distracção, os filhos vão-se aproximando. Uhm…eh kiula mukoboka kina! (o sapo vai se enfiando!)



Nkituavanga II

sexta-feira, 9 de março de 2012

COM DIAMANTES E PETROLEO SE ESCREVE A NOVA HISTORIA DE ANGOLA




Sabe-se perfeitamente que Angola como nação tem a sua história. Mesmo que, infelizmente tendo muitas historietas, a realidade não deixa de ser única. Confrontado e exposto as varias demagogias o homem angolano foi desde os tempos remotos do colonialismo visto como instrumento que se pode facilmente tornar e retornar, virar e rebolar ate rebangular, vincular aqui e desvincular acolá. O tempo sendo um factor precioso, que inspira e ensina, trouxe uma clareza a consciência angolana dando uma brecha aos natos de Angola de berrar: basta!

Este berro revolucionário foi um único golpe que arrancou as raízes do sistema colonial dando lugar a independência da nação angolana. Estrategicamente o desesperado colono já contava os dias com seus arrepiados e tortos dedos cobertos com o sangue do angolano. Espertinho de sempre, o colono português planificou abandonar Angola, estando (ao mesmo tempo) presente em Angola. Assim deu-se a independência ao MPLA, colocando-se todavia na postura de colono e mentor do novo governo. Incumbiu-se a este movimento a liberdade de escrever sozinho a história do povo de Angola sob a supervisão do pai-colono. Os mancebos copy cat do Mpla não tiveram a percepção de discernir que Portugal tem dado-lhes a mão direita guardando atrás uma navalha dissimilada a mão esquerda. Os comunistas não sabiam que o princípio estratégico do colonialismo é sempre dividir para melhor reinar. Foi assim que o Mpla com o sangue dos angolanos começou escrever a história de Angola na base da mentira, do tribalismo e da exclusão usando uma fraseologia orneada e slogans revolucionários para melhor se camuflar.

O MPLA foi então recebido em todo território nacional como um movimento de santos e anjos. Com a distribuição de sobejos de queijo, macarrão e outros produtos alimentares herdados aos colonos atrapalhados em varias armazéns de Angola, o povo caiu fanaticamente numa armadilha dos lobos feitos cordeiros. Distraídos pelos lindos discursos de Agostinho Neto, ninguém se apercebera da caída da mascara na face destes marxistas na véspera do 27 de Maio em Luanda quando foram barbaramente massacrados centenas e centenas de angolanos autóctones carimbados por fraccionistas. Na verdade e pela verdade, o … tornou-se anjo da luz.

Nas mesmas ondas de mentiras forçaram outros movimentos da libertação, seja de abandonar ou de mergulhar-se numa guerra suja e injustificada. Como tinham-se conseguido de autoproclamar-se justos revolucionários e libertadores, os heróis do MPLA emergiram como únicos merecedores de governar Angola num totalitarismo burocrático produzindo portanto prejuízos em regresso socioeconómico e politico da nação.

O MPLA soube sempre nos brandir com anedotas, lendas, fábulas e outros preconceitos tendo um acento profissionalmente sofisticado de aldrabices aperfeiçoadas e preparadas nas grandes instituições comunistas da KGB soviética mas também da famosa DISA angolana. Eis a razão pelo qual fomos engolindo sapos e gafanhotos sobre a própria fundação do MPLA, do 4 de Fevereiro, muitos mais dicas sobre Ngangula, Irene e outras ate culminar pela digitação tribalista do JES a cadeira presidencial.

Assim foi que com o sangue se escreveu a primeira história de Angola. Acreditem quem queiram mas a mentira nunca teve longas pernas…

Em tudo as justificações se inclinavam poeticamente na guerra. A guerra já não falava porque não tinha como se defender…tudo era guerra. Quando se falava da guerra o queixoso mirava direitamente a Unita como único destruidor. Em Angola a Unita era mais condenado do que o próprio diabo. Só que depois da morte do bruxo, as pessoas ainda misteriosamente morrem mesmo nas portas das eleições de 2012. Para resolver esta equação os fiéis e a elite do Mpla decidem escrever a nova história de Angola, mas desta vez com diamantes e petróleo.

Portugal exposto pela vigilância angolana já não depare frinchas para infiltrar-se perfeitamente no jogo. Ele tem seus problemas internos; não tem capacidade de sustentar seu povo ou oferecer emprego aos seus filhos enfim uma serie de problemas bicudos. Pelo seu egocentrismo o Movimento dos camaradas não aceita partilhar o poder com outros angolanos. Nasceram e cresceram ditadores, pensam continuar governar a mão de ferro contando com umas forças policial e militar armadas ate os miolos, capazes de raptar e torturar onde haja divergências. O nosso movimento da situação com o seu parlamento patético, uma oposição sem expressão vai dirigir sozinho a todo o custo o destino deste barco em naufrágio mesmo carecendo uma opção para salvar.

A intrigue tribalista do movimento popular já está flutuando nas superfícies da consciência angolana. Os incontroláveis choros de mortos angolanos já não se emudeçam. Já não existem lugares para sequestrar as almas dos angolanos. A média estatal já não tem espaço de manejo mesmo sem competição no mercado. A super capacidade financeira, mal empregue pelos fiéis da elite partidária e membros de clã afinado está criando um nó que irá certamente sufocar os beneficiários.

Os muatas e os mutiamvuas não aprenderam a lição, continuem dominar no mesmo estilo, moda, forma, batendo na mesma tecla onde o Mpla era o povo e o povo era o Mpla. Só que o povo das alturas era mudo, comunista imposto, desinformado, restrito a monotonia, facilmente manipulado, incorporado involuntariamente, isolado e provavelmente analfabeto, condenado a miséria etc.

Hoje quando se escreve a nova historia de Angola, o MPLA está sentado num sofá, apreciando a brisa do ar fresco que amortiza o calor de Luanda, no belo recinto perfumado com a beleza de flores que reflectem o orgulho de milionários, animado pela cadencia rítmica do balancete que com vás e vens exprime com folga um vocabulário futungista e da nomenclatura ditatorial que sonha reinar eternamente neste pólo onde as eleições não tem significado uma vez funcionam sob as imperativas de elementos digitados pelo regime a satisfação das necessidades internas dos intocáveis. Robotizado pela macromagica do roubo sistemático, pilhagem e enriquecimento ilícito, o dirigente angolano fiel a manipulação e corrupção não espere pelo fatalismo, negligenciando ou menosprezando as aventuras de muitos outros ditadores que praticaram uma cleptocracia que os levaram prematuramente a derrota, falência perdendo lugares especiais nas bancadas históricas dos seus respectivos povos.

A tortura, a exclusão social, o desemprego nunca foram fiáveis instrumentos para a reconstrução de um estado nem para a reconciliação nacional. O Mpla nunca pensou nunca na legacia que deixará aos angolanos porque no processo da dilapidação nunca se pensa na fonte da herança aos filhos mas só no volume. Certamente que o angolano já não espere nada destes dirigentes uma vez a experiencia prova que aqueles que contribuíram na demolição duma economia nunca ajudaram para a reconstrução, visto que carecem desta mentalidade. Os comunistas da Rússia como da Cuba nunca se converteram em democratas. Isto não aconteceu com os padrastos e nunca poderia acontecer com as laranjadas angolanas do mesmo saco.

A própria lógica da matemática ensina-nos que 5-6= -1. Esta álgebra não coloque o angolano no lugar de ignorante ou ingrato. Ele reconhece as boas obras ou obras positivas do Mpla por isso dê-se-lhe 5 pontos, infelizmente Este pediu aos seus filhos de tapar os olhos para que lhe aumentasse algo na mão, portanto acabou por retirar mais do que já tinha-lhe dado. Assim retirou-se 6 pontos dos cinco que tinha e o Mpla terminou com uma nota negativa. O que continuamente se de ao povo é uma migalhinha em relação aquilo que os filhos herdeiros tem apoderado, ocupado e monopolizado. Para o povo angolano, já que não se fala sobre a nação pois numa definição bem apropriada Angola não é ainda uma nação. Entende-se que uma nação é um conjunto de povos unidos e coordenados a uma visão ou fim comum. O denominador comum dos angolanos de Cabinda ao Cunene resta a miséria, sofrimento, desemprego, falta das liberdades. O angolano não tem direito a escolha anyway nunca recuperou a sua voz. Por consequência sabe-se que Angola é o novo Eldorado do mundo, um paraíso africano; a massiva presença de portugueses, brazucas, malianos e outros prova isto. Esta projecção pode ser verdade mas só para uma minoria com conexão a cidade alta e famílias/clãs de classe superlativa. Como os cambalachos produtivos só rendem em combinação com estrangeiros, Angola tornou-se uma plataforma giratória onde como cachorro o angolano se alimente dos resíduos que se deitem nas lixeiras dos forasteiros.    

Na verdade e pela verdade, vos sabeis que numa mesma família, há sempre competição entre os filhos do mesmo pai. Este, tendo boas qualidades nunca deve proibir os seus filhos de comunicar entre si. Um verdadeiro pai nunca deixe padecer seus filhos de fome quando tem capacidade de suportar-lhes. Um bom pai nunca faz humor de mau gosto com o fim de desprezar um ou outro filho. Desculpe mas…foram os antigos carpinteiros que não possuíam boas cadeiras nas suas casas. Bem claro que não se vai distribuir o diamante nas ruas de Lunda como petróleo em Cabinda mas o verdadeiro filho das Lundas como de Cabinda nunca tocaram nestes produtos e muito menos beneficiar dos seus rendimentos. Isto, ninguém pode me provar contrario pois as contas revelam tudo.

Na nossa girabola, cada um tem a sua equipa. Cada equipa tem as suas cores, sua sede e suas estruturas mas joguem todos no mesmo campeonato onde o melhor ganhe. Numa outra altura alguns serão chamados para representar a nação e fazem-no patrioticamente com dignidade (aqui não se refere sobre a podre politica da administração da FAF). Na verdade e pela verdade, eis uma inspiradura!

O angolano sofreu muito com as guerras, torturas e injustiças, mas precisa hoje de alguém que o reconhece como ser humano, que valorize-lhe assim as lágrimas que percorrem sua face poderão secar e as feridas do seu coração serão curadas. Na verdade e pela verdade, quando o estrangeiro se prevarica do autóctone na sua terra, aproxima-se a calamidade.

O que se precisa é que se escrevesse a história de Angola com o sorriso do povo: todos os filhos de Cabinda ao Cunene (sem excepção).


 Nkituavanga II

sexta-feira, 2 de março de 2012

A POLITICA DA CADEIRA VAZIA



As grandes potências ocidentais vão concebendo uma crise financeira que a humanidade nunca antes experimentou. As suas teorias e as contigency plans vão falhando. Por enquanto o solo africano é a melhor alternativa para tapar as fossas económicas da economia do mundo desenvolvido e que vai expandir a escala do desequilibro entre o norte e sul, entre os ditos países industrializados contra os pobres.

Angola pertence ao grupo dos países africanos divinamente abençoados, que se localize na região que se considera por ‘’escândalo geológico’’, que infelizmente esta egoisticamente e invejosamente colocado num mercado cujo dono reside no cemitério dos mudos. Esta bênção (talvez pejorativa) é hoje o fulcro da miséria o povo angolano. Os polvos políticos do mundo desenvolvido colocaram no cimo de cada país africano dinossauros económicos que facilitem-lhes a tarefa; castigando seus cidadãos.

Eu crescera acreditando, como fui ensinado, que o cabelo branco é sinal e sinonimo da boa experiencia, justiça, amor e paz. O que se repare hoje assente as concepções filosóficas sobre a verdade e realidade em contradições com as suas respectivas definições. Os velhos que nos lideram hoje já não têm noção de patriotismo, ainda muito menos seu sentimento. Tornaram-se teimosos e não escutem conselhos embora que tenham multidões de conselheiros, que servem de figuras de embelezamento arquitectural. Jovens que ontem sabiam o que a lógica, trabalharam respeitando a cultura, a deontologia profissional são hoje carrascos sem piedade, esqueceram-se da visão, trabalham sem direcção e preocupam-se mais com as suas próprias contas bancárias, que na realidade são fortunas do estado. Esses optaram colocar-se com suas familiares em cima da lei. São hoje donos da pátria com pleno poder de nomear e exonerar quando e como quiser e achar. Eles pensam ser mais do que Deus, enquanto outros não passam por lixos da humanidade.

Os injustos trabalham sempre usando a manipulação e corrupção como arma de combate contra a população, o bem, a mudança e tudo que progressivamente traz a inovação. Porquê haver numa Angola paralisada, instituições que tem nada para desempenhar? Tal como tribunais que não apliquem leis, uma Assembleia que não aceite a oposição, um governo que não precisa outros partidos, um corpo policial que não honra a população etc.

Aproxima-se as eleições e agudiza-se as injustiças. Os debates na casa da lei vão borbulhando mesmo quando se prefere ofertar o membership só aos surdos e mudos. Assim oferece-se a oposição a via da política da cadeira vazia. Esta alternativa proposta indirectamente pelo partido da situação e a única via em que a oposição se atina. Portanto não estamos numa democracia onde as leis e normas são empregues e respeitadas. O partido no poder tendo a maioria esmagadora na Assembleia Nacional (AN), a lei, as instalações e poder politico, mediático e financeiro e todo o mecanismo robótico da manipulação e corrupção é já um vencedor antecipado.

Nas nações democráticas onde o objectivo comum do governo e oposição é desenvolver a pátria, a politica da cadeira vazia tem uma expressão muito fértil. Isto porque cada membro da AN (vulgo deputados) tem condições socioprofissionais que se consideram por normal ou aceitável. Porem quando a barriga não é cheia, sabe-se bem que a barriga vazia não tem ouvidos. Abandonar o parlamento ou mesmo abandonar as eleições deve ser estrategicamente um ponto culminante to expose o partido da situação perante o mundo. Por enquanto Angola constitui uma fonte de ‘’honey’’ que embebedesse o pequeno tutsiamericano Barack Obama e seu governo, tanto como outros ditadores que dirigem hoje as grandes nações europeias em crise principalmente França, Alemanha e Grande Bretanha. Esses detentores de decisão estão ainda encaracolados nos bolsos dos dirigentes que alguém chamaria de criminosos, mas que os portugueses considerem por ricos palhaços e não estão dispostos a considerar a opinião da oposição de qualquer povo africano que aspire a prosperidade. Outra realidade adicional é a falta das condições de deputados, que vai condenar muitos fracos deputados da oposição de não cumprir esta politica de ‘’cadeira vazia’’, optando pela política da ‘’barriga cheia’’, seguindo a chuva dos verdes.

Esta política necessita muita cautela, uma vez nas repúblicas bananeiras a lei não funciona. A maquinação da midia bolchevica pode usar isso como uma deserção ou má vontade, acusando assim a oposição de boicotar as leis, que eles nunca respeitaram.

Esse tempo, cada verdadeiro politico angolano deve sacrificar-se, jejuando para que a situação de Angola mude!!!



Nkituavanga II

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CHOROS DAS SEXTAS



A história da pré-revolução angolana demonstra que a maioria dos meus antepassados não se exprimia em português, facto que não prova que gentes da minha terra eram mudos ou parvos. Por consequência a riqueza da minha cultura bem prova a coerência da comunicação musical e verbal empregue nesta comunidade. A selecção ou escolhe de nomes era um instrumento comunicativo muito decisivo para os bakongo, porque cada nome carrega consigo determinada história duma família, clã, tribo ou duma certa comunidade. Isto é a base em que repousa a importância e o significado de cada nome que se coloque aos descendentes, mesmo aos animais domiciliares.

Para mim possuir um grande nome é mesmo inspirativo: partindo duma simples curiosidade ate embarcar as profundidades do núcleo da investigação. Assim fui nascido com a denominação de Nkituavanga II, já que o meu falecido pai era o Nkituavanga primeiro. Este apelido que se traduz por: que fizemos ou o que fizemos. Ora, uma vez procurei curiosamente, solicitando meu velho para descobrir o que realmente ele fez, ou talvez que alguns pertencentes a família tinham feito. Nunca na sua réplica evocou a palavra ‘’niet’’, se não for deixar escapar dos seus lábios um simples sorriso amigável, que remetia a conversa por uma outra oportunidade. Infelizmente a vindoura oportunidade tão esperada nunca iria surgir uma vez o meu pai viria sucumbir nas matas fugindo a UNITA que havia ocupado as terras santas do norte de Angola, projectando assim a minha vida numa orfanato antecipado. Hoje transbordei a minha curiosidade para com a minha mãe que também prefere enviar-me investigar o significativo deste curioso nome fazendo uma leitura do tempo; que prova?

Que fizemos ou o que fizemos (Nkituavanga) na minha profunda observação e na lógica da minha investigação deveria se terminar com um ponto seja de exclamação tanto da interrogação. Isto dependendo das circunstancias em que o sujeito se encontre ou da posição que o mesmo ocupa na hora da proclamação emocional ou sentimental. No entanto seria anormal e incorrecto o nome de num indivíduo se termine assim com um ponto qualquer. Concretizando a realidade deste nome num cenário prático, quem assim atira este apelido com um ponto de interrogação (Que fizemos?) procura conhecer porque vem sendo punido, quando inocente é. Talvez porque vai sendo continuamente sujeito às queixas ou perseguições quando está carimbado com inocência. A tonalidade com que se invoca este nome prova que o castigo é violento, sente-se a brutalidade onde as consequências são físicas.

Que fizemos! prova que o sujeito está ainda livre mas sofre pressões duma injustiça qualquer. Ele não está acreditando o que se passa para com ele mas a tortura é ainda verbal/moral.

A leitura do tempo nunca foi em nenhuma parte fácil porque o tempo é muito imprevisível. O tempo das actualidades sociais já não respeitem as normas e as regras que gerem a tal sociedade. O tempo social do dia-a-dia do angolano é manipulado pelo político e desfigurado pelos profissionais da arte da bajulação e média, sabendo também que a história do povo angolano vai sendo montado peça por peça nos laboratórios daqueles que detêm o monopólio da mentira.

Quando faço a leitura do tempo fico sempre confuso. Confuso porque não sei qual ponto colocar nesta situação. Eu tenho feito perguntas aos incógnitos e exclamo no vazio. Não tenho quem me responder ou simplesmente não vejo quem me responder. Todos sabem que sou inocente mas preferem o silêncio, e regozijar-se dos meus sofrimentos. Isto é a cobardia do homem mas…

Este meu nome não é a profecia do meu falecido pai? Sabendo que ninguém no seio da sua família cometeu, será que algum lado alguns bakongo cometeram? Injustamente fomos acusados e condenados em 1975 dali digo Nkituavanga? Isto só porque alguém da casa pensou em criar um movimento e iniciar a guerra da libertação. Isto só porque alguém quis ganhar a luta e teve maquiavélicamente uma genial estratégia de diabolizar nosso povo. Para sermos malvistos nas ruas e mesmo nos bairros fomos então em 1992 acusados e massacrados nas nossas casas: dali digo Nkituavanga? Isto só porque temos uma terra que faz fronteira com o Zaire (RDCongo). Isto só porque falamos mal português e fomos nascidos em Cabinda, Zaire e Uíge. Isto só porque cometemos o pecado de vivemos no Mabor e Palanca. Somos acusados porque alguém incapacitado pensa distrair o resto da população dorminhoco!

Este fim da semana muitos vão festejando, mas nos estamos fechados nas casas tentando responder: O que fizemos? Este fim da semana perdemos em Luanda os nossos filhos, irmãos, netos, sobrinhos, primos enfim parentes só porque alguém preferiu acusar-lhes de toda a maldade e colocou um adjectivo condenativo nas suas vidas devido os interesses político-económicos. Todos bem sabem que somos inocentes mas escolheram a via do silencio deixando os bakongo no sofrimento, e vão alegrando-se da sua eterna condenação.

Será que meu pai soubera que um destes dias seremos falsamente acusados e eternamente condenados. Será que meu pai sabia que nenhum dos actuais (eternais) dirigentes tossira palavra para rectificar a condenação? Mesmo os comparsas da equipa governamental cruzarão as mãos rindo-se dos bodes expiatórios?

Num deste fim da semana houve massacre de bakongo que ninguém pode negar mas cujo resultado do inquérito ficou nas gavetas do governo como sempre. Esta memória resta impagável na consciência dos comanditários, dos actores mas também do povo sacrificado.

Que as lágrimas dos bakongo entoam, Nkituavanga!


Nkituavanga II